Tribuna Livre
Evolução em P&D
Autor: Carlos Roberto S. Moura
Em 26-11-2009
O investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) é fundamental para a evolução tecnológica de um país. De acordo com o Manual Frascati, da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), são definidas como atividades de P&D: “todo o trabalho criativo efetuado sistematicamente para ampliar a base de conhecimentos científicos e tecnológicos e o uso desses conhecimentos para criar novas aplicações”. São três as atividades consideradas pelo referido manual: “a investigação básica, trabalhos experimentais e teóricos para obtenção do fundamento de fenômenos e fatos observados, sem pensar em aplicações; a investigação aplicada, trabalhos para adquirir novos conhecimentos com um objetivo específico; e o desenvolvimento experimental, trabalhos sistemáticos de aproveitamento dos conhecimentos existentes dirigidos para a produção de novos produtos, processos e serviços ou melhoria dos já existentes”.
Os dados disponíveis no Ministério de Ciência e Tecnologia, referentes ao investimento brasileiro em P&D em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), são insatisfatórios, quando comparados aos de outros países, embora tenha havido uma ligeira ascensão, entre 2005 (0,97%) e 2008 (1,13%), após uma queda no período 2001 (1,04%) a 2004 (0,90%). Para efeito comparativo, mencionamos os percentuais referentes a alguns países desenvolvidos ou em desenvolvimento (valores conhecidos mais recentes): Alemanha 2,54% (2007); Austrália 2,01% (2006); Canadá 1,82% (2008); China 1,49% (2007); Cingapura 2,61% (2007); Coréia do Sul 3,47% (2007); Estados Unidos 2,68% (2007); França 2,08 (2007); Japão 3,44% (2007); Reino Unido 1,79% (2007). A comparação, entre diferentes países, dos percentuais aplicados em P&D é bastante confiável, tendo em vista que se baseia em metodologia consolidada e aceita internacionalmente.
Assim, verifica-se ser imperiosa a necessidade de serem aumentados os investimentos do Brasil em P&D, para que possamos almejar, efetivamente, o status de nação desenvolvida. As aplicações em pesquisa e desenvolvimento são compostas por investimentos públicos (federais e estaduais) e empresariais (empresas privadas e estatais). Além do aumento do dispêndio na área federal, especialmente por meio dos programas de pós-graduação e pelas estatais federais, o Governo deve avaliar a conveniência de incentivos fiscais para a iniciativa privada investir em pesquisa e desenvolvimento. Hoje, em nossa economia globalizada, é indiferente para as empresas instalarem centros de pesquisas na Índia ou no Brasil. A escolha é função das vantagens oferecidas.
*Carlos Roberto Moura, engenheiro civil, é Presidente da FEBRAE (Federação Brasileira de Associações de Engenheiros).
As opiniões emitidas são de responsabilidade do autor, não representando necessariamente o posicionamento da FEBRAE.
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