Em 08-11-2009
Em 21 de outubro, o engenheiro português Celestino Florido Quaresma ministrou palestra na cidade de Curitiba. Ele falou sobre a profissão e a formação dos engenheiros, além de defender um maior engajamento dos profissionais na valorização da engenharia em todo o mundo. "É preciso mostrar à comunidade que os engenheiros são o melhor recurso estratégico para promover o desenvolvimento do país", afirmou.
Confira abaixo parte do discurso proferido.
Estar aqui, com a Engenharia Civil brasileira é para mim um privilégio e uma honra. Acresce o detalhe de a cidade de Curitiba ser irmã gémea da cidade de Coimbra, onde tenho a sorte de viver. Coimbra tem a Universidade mais antiga de Portugal e uma das mais antigas do mundo. Curitiba tem a mais antiga universidade do Brasil. Com colegas que falam a mesma língua e numa cidade como esta eu sinto-me em casa. Saúdo a cidade de Curitiba. Cidade cosmopolita. Povos de várias culturas. A arte que se vê nesta cidade é um reflexo disso. Cultura de marca europeia. Os nativos tupi-guaranis, que habitavam esta região, chamavam-lhe [i]Curii Tiba[/i], que significava “[i]terra de pinheiros[/i]”.
Caros colegas, sou engenheiro civil da área de estruturas. E também para deixar a mensagem de que um engenheiro civil tem de interessar-se pela história dos lugares onde intervém. Somos dirigentes associativos com responsabilidade na defesa dos interesses dos nossos colegas associados. Mas, muito para além de defender os interesses dos engenheiros, é nosso dever, como dirigentes, exigir aos engenheiros o máximo de qualidade nos actos de Engenharia que se praticam.
A mensagem que vos deixo é que mostrem á comunidade que, muito para além de interesses corporativos, vocês engenheiros estão preocupados com a qualidade de vida futura no vosso Estado e no vosso Brasil. Que estão preocupados com os grandes temas nacionais e globais como aqueles que dizem respeito à sustentabilidade do meio ambiente e à qualidade de vida no planeta. É preciso mostrar à comunidade que os engenheiros são o melhor recurso estratégico para promover o desenvolvimento do país. A mera defesa de interesses corporativos em luta com outras profissões não dá credibilidade nem leva a lado nenhum. Essa luta se ganha por outra via mais demorada mas mais eficaz.
A engenharia tem de colocar-se perante a sociedade num nível superior. Conseguindo esse estatuto, ganha-se credibilidade e tudo o resto vem naturalmente por acréscimo. Aproveito para saudar os membros do Observatório de Engenharia. Eles estão iniciando um movimento neste sentido que há-de mostrar à comunidade do Paraná e do Brasil o valor da Engenharia. Colegas e amigos vão em frente! Tem de ser esse o caminho.
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[b][i]Mas o que é a Engenharia?[/i][/b]
Engenharia é a atividade de concepção, projeto e realização de sistemas ou de produção de bens e serviços, destinados a satisfazer as necessidades da sociedade, com base no conhecimento científico e tecnológico, e segundo paradigmas de ética, eficiência e eficácia, bem como de sustentabilidade e equilíbrio em relação ao meio ambiente.
A Engenharia Civil transforma e adapta a natureza com o fim de optimizar a qualidade de vida dos seres humanos. Para melhorar a qualidade de vida, o homem sempre fez e faz Engenharia Civil. Engenharia Civil exige formação científica, engenho, criatividade e inovação.
Construções megalíticas. Topografia. Zigurates da Mesopotâmia. Pirâmides do Egipto. Farol de Alexandria. Muralha da china. Templos gregos. Estradas romanas. Coliseu e Panteão de Roma. Catedrais românicas. Catedrais góticas. Aço. Metalurgia. Pontes. Geotecnia. Hidráulica marítima. Hidráulica fluvial. Barragens. Aproveitamentos hidroeléctricos. Irrigação. Protecção do Ambiente. Construção de edifícios. Acústica. Engenharia sanitária. Estruturas metálicas, de madeira e de Concreto. Estradas. Aeroportos. Vias férreas. Segurança. Racionalização do trabalho. Ordenamento do território. Transportes. Urbanismo. Economia. Planejamento. Gestão de empreendimentos. Apoio à decisão. Tudo isto é Engenharia civil. Tudo Engenharia!
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[b][i] E como se forma um engenheiro civil?[/i][/b]
A formação de um engenheiro civil deve assentar numa base científica onde têm lugar as ciências básicas como a Matemática, a Física, a Química e a Geologia e, logo a seguir, as ciências de especialidade, que devem incluir disciplinas como a Topografia, a Estática Aplicada, a Mecânica dos Sólidos Deformáveis, a Dinâmica, a Resistência de Materiais, a Hidráulica Geral, a Hidrologia, a Mecânica dos Solos e das Rochas, a Teoria das Estruturas, a Engenharia de Tráfego, desejavelmente complementadas com a Informática, noções de Economia, de Gestão, de Sociologia, de Psicologia, alguns princípios do Direito e, uma ou outra abordagem de carácter humanístico, versando a ética e a deontologia!
Como aplicação, vêm depois as disciplinas ao nível de Projecto, de Gestão, de Planejamento e de Produção. O professor universitário é hoje, avaliado e classificado mais por sua actividade na pesquisa científica do que por sua actividade de professor, mais pelo número de artigos científicos que publica e pelo número de vezes que é citado noutros artigos do que pela eficiência e qualidade com que transmite saber aos estudantes através de aulas, de textos de apoio, de palestras ou até de convívio. Naturalmente que o professor tem tendência a afastar-se do estudante e acaba por não ter influência relevante na sua formação.
Há professores de engenharia que nunca exerceram a profissão de engenheiro ao nível do projecto ou da produção. Assim, os estudantes dificilmente captam deles o espírito da profissão que escolheram. Os estudantes de engenharia esperam ver em seus professores, engenheiros de excelência. Mas, em vez disso, encontram cientistas, alguns de muito elevado nível, mas tantas vezes distantes da engenharia que projecta, que gere, que planeja e que produz!
Os professores de engenharia além de doutores com relevante curriculum académico e científico, precisam ter também alguma experiência profissional, algum [i]feeling[/i] de Engenheiro. Como poderá ser transmitida a vivência de uma profissão, escolhida pelos estudantes, se nunca foi exercida pelos professores? Como se pode ensinar a nadar sem nunca ter nadado?
Mas não aceitamos a crítica comum de que o ensino da engenharia deveria ser mais prático, com mais componente de trabalhos e projectos! Chega-se, por exemplo, a criticar um jovem engenheiro civil só porque não sabe o que é uma empena ou porque não conhece alguns outros termos da gíria da construção! Caros colegas: não devemos confundir, nem deixar que se confunda, a informação superficial com as bases científicas formativas do “[i]saber pensar[/i]”, do “[i]saber fazer[/i]” e do “[i]ser capaz de inovar[/i]”!
Se não há cuidado, trabalhos e disciplinas de Projecto e de produção nas universidades, podem transformar-se em conjunto de receitas e de técnicas repetidas, que se desactualizam e só trazem rotina e pouca ou nenhuma criatividade. Por isso recomendamos uma chamada de forma acentuada, de engenheiros com carreiras profissionais de excelência comprovada, como professores convidados nas Faculdades de Engenharia, para colaborar em disciplinas de Projecto, de Gestão, de Planejamento e de Produção.
A universidade deve ensinar bem as ciências de base e as ciências de engenharia! É com essas ciências que se entende o que vem nos livros de engenharia, que se estuda um problema de engenharia. As técnicas e os modos de trabalhar desactualizam-se com facilidade. Os conhecimentos e a formação científica de base, esses não se desactualizam. É com esse background que se faz inovação, que se concebem novas técnicas, novas soluções e novos métodos.
Quando uma empresa de construção contrata um engenheiro, o que se pretende não é um chefe de oficina. Não é um encarregado. Esse apenas resolve problemas concretos que já viu resolver. O que se pretende é alguém capaz de criar, capaz de gerir sistemas de informação e, com base na análise, seja capaz de planejar a produção. O que se pretende é que o engenheiro saiba interpretar quantitativamente a informação, mas com a intuição e a sensibilidade que o conhecimento científico proporciona no apoio à decisão. O que se pretende é que o engenheiro saiba aproveitar a informação para fundamentar as decisões e os processos e as técnicas que constituem a produção e o aprovisionamento sem nunca descurar a inovação.
Numa economia cada vez mais aberta, em que a competitividade e a produção de riqueza são alicerçadas no conhecimento e na capacidade de inovação, a formação dos engenheiros é um aspecto fundamental a ter em conta. Esta formação é tanto mais valiosa quanto mais eficaz e duradoura for a sua influência na vida profissional. A passagem da Universidade para a vida profissional tem de fazer-se com uma bagagem de conhecimentos, de competências e de valores culturais e éticos, bem ajustada às exigências das situações em que a engenharia hoje actua. Ora, em face do progresso científico e da constante inovação tecnológica, quando se fala da formação estamos, também, necessariamente a falar de formação contínua ao longo da vida profissional. É preciso mentalizar, desde bem cedo, o jovem engenheiro para uma contínua atitude e capacidade de permanente aprendizagem. Na Universidade aprende-se a aprender. Ninguém se forma de uma vez só. Somos estudantes toda a vida.
As transformações por que passam as sociedades modernas são rápidas. “[i]Todo o mundo é composto de mudanças[/i]”. Disse-o Luís de Camões há mais de quatrocentos anos. Mas as mudanças que o mundo de hoje está sofrendo são estonteantes. Não há precedente histórico. Por isso, hoje, a inovação é crucial para qualquer país. A manutenção de processos ou formas de organização caducos e a recusa e medo de experimentar e avaliar novos procedimentos pode ser muito cara. Colegas: Fazer engenharia é inovar. Inovar é fazer melhor, em menor tempo e com menor custo. Em projecto ou em obra cada caso é um caso. É sempre preciso criar soluções novas. E não falo apenas na inovação tecnológica. Falo também na inovação na gestão e nas relações de trabalho. E falo, ainda, em novos modos de enfrentar questões e problemas, quaisquer que eles sejam.
Há profissões onde êxitos conseguem-se à custa da Comunicação Social. A fama, o sucesso e o vedetismo se conseguem mediante certas modas, sempre efémeras. Mas não acontece na Engenharia! Os Engenheiros estão habituados não às páginas das revistas e dos jornais, não ao destaque fotográfico, não ao palco, não às luzes da ribalta. Mas, aos bastidores, ao anonimato dos que trabalham, dos que fazem a qualidade de vida. Os engenheiros usam a inteligência, o engenho e a arte para dar a fama aos outros. Quando se fala em Brasília pensa-se logo em Oscar Niemayer. Mas alguém sabe os nomes dos Engenheiros que a projectaram?
A comunidade não entende e não sabe qual o verdadeiro valor da formação de um engenheiro civil. É preciso explicar-lhe que, de todos os cursos existentes, a engenharia civil é seguramente o curso universitário que mais competências de elevado nível dá a um cidadão. E se lhe juntarmos alguma cultura geral, ética e social teremos num engenheiro civil o perfil mais completo para intervir, para ser consultado nas grandes decisões nacionais. A comunidade tem que saber disto. É preciso fazer marketing das nossas competências. É preciso evidenciar o papel dos engenheiros civis na construção da qualidade de vida. É com os pareceres e as decisões dos engenheiros que um País avança. Em toda a Administração Pública, Central ou Local, nas Empresas Públicas ou Privadas são os engenheiros, no seu papel de Dirigentes, Gestores ou Assessores que tornam mais cómoda a vida dos cidadãos. A comunidade e o poder político têm que saber que os engenheiros são o melhor recurso estratégico para o desenvolvimento e para o progresso do País. Eles são o motor da economia.
Os engenheiros civis, como detentores da capacidade de transformar conhecimento científico em bens e serviços de interesse público, têm de adquirir um estatuto elevado.
Há estudantes que iniciam um curso de engenharia civil pensando que a engenharia civil só serve para projectar e construir casas. É preciso informá-los das possibilidades reais do curso que escolheram. Porque se, no futuro, quiserem apenas projectar casas, então basta tirar um curso médio de Tecnólogo da Construção Civil. Nada de confusões! Essa é a grande falta de informação no que respeita às competências dos engenheiros civis. Essas são praticamente ilimitadas! A Engenharia Civil é outra coisa. Só a Engenharia Civil têm competência de base científica para analisar os grandes temas nacionais. Energia. Sustentabilidade ambiental. Alta velocidade. Vias de comunicação. Tratamento de resíduos sólidos urbanos. Redes de abastecimento de água potável. Redes de saneamento básico. Redes de gás natural. Redes eléctricas. Redes de telecomunicações. Hidráulica Marítima. Hidráulica Fluvial. Ordenamento do Território. Irrigação. Hidráulica Agrícola. Grandes obras. Grandes empreendimentos.
Mas, para isso, os engenheiros civis precisam de cultura geral, humanística, ética e social. E essa formação a Universidade não dá. É um gosto que se adquire e se cultiva. É preciso ler grandes mestres da Literatura e da poesia. Aprender a gostar de música, de teatro e cinema. Apreciar artes plásticas. Interessar-se pela história. Um engenheiro sem cultura não tem presença de engenheiro, sndo vencido em reuniões pluridisciplinares de administração, de projecto ou de obra. Complementando sua formação, o engenheiro civil pode difundir a mentalidade da inovação. E lançar o entusiasmo pelo desenvolvimento e o progresso do país.
Os engenheiros civis vêm intervir nos problemas da comunidade. Promover debates em torno de variados temas que interessam à sociedade. Sensibilizar a comunidade e o poder político para problemas respeitantes à Segurança nas suas diversas vertentes: Segurança e Higiene no Trabalho, Segurança rodoviária, Segurança contra incêndios, Segurança estrutural, Segurança em caso de catástrofes e fenómenos naturais, Segurança na construção, Segurança ambiental, Segurança no manuseamento de resíduos tóxicos perigosos, Segurança nas Instalações Eléctricas, etc. Têm de sensibilizar a comunidade e o poder político para a necessidade de processos de certificação dos edifícios no que respeita à qualidade da construção. Assim, quem compra sua casa saberá o nível de qualidade do produto que está a comprar. Têm de sensibilizar a comunidade, os poderes estaduais e municipais para a necessidade de legislar no sentido de eliminar as barreiras arquitectónicas que impedem os deficientes de circular em meio urbano e de usar os equipamentos do dia a dia em suas casas.[color=#ff0000] [/color]
É preciso fazer sentir aos governantes responsáveis pela educação e pela ciência a importância de uma exigente formação científica de base, apoiada na Matemática e na Física e nas Ciências da Natureza. É essa formação científica de base que permite estudar problemas de Engenharia e também problemas de Medicina. São as profissões que interferem no funcionamento da Natureza. A Engenharia garante a segurança e a Medicina garante a saúde. E esses são os bens mais inestimáveis a proporcionar aos cidadãos.
Nas populações mais abandonadas no interior, em zonas subdesenvolvidas, a engenharia civil, construindo infra-estruturas básicas, estradas, habitações condignas, redes de abastecimento de águas, redes de saneamento, redes eléctricas, faz muito mais pela saúde pública, em termos de prevenção, do que os médicos e o Ministério da Saúde. Sem a formação científica de base não é possível estudar problemas de engenharia. Uma coisa é repetir técnicas já usadas e outra bem diferente é encontrar novos métodos, novas técnicas e novas soluções. Mas não tenhamos ilusões: essa formação científica de base, que é fundamental para a Engenharia e para a Medicina, ou se exige no início dos cursos universitários ou nunca mais se aprende. A informação procura-se na internet, mas a formação… essa não está na internet! A informação e as técnicas desactualizam-se. Para conceber novas técnicas e novos métodos de trabalho é preciso formação científica de base. A engenharia tem de ser muito exigente nessa formação de base.
Aos mais jovens, eu deixo mensagem de confiança e optimismo. Com a formação de base que vocês trazem de um curso de cinco anos, com a excelência exigida pelas universidades brasileiras, não tenham qualquer receio de encarar a profissão de engenheiro civil qualquer que seja a área de actuação. Mas não queiram ser só engenheiros! Aprendam a gostar de música, das artes plásticas, da literatura, da poesia, do teatro e do cinema. Cultivem-se! Um engenheiro que só sabe engenharia nem sequer engenharia sabe! E aqui recordo um velho provérbio: “Pouca cultura é pior do que nenhuma”. Sejam ambiciosos! Mas sejam pacientes, porque os êxitos não se conseguem de um dia para o outro! Definam objectivos ambiciosos e actuem nesse sentido com a confiança de que esses objectivos vão ser atingidos. Há muito para fazer neste Brasil, no resto da América do Sul e no resto do mundo!
A sua ambição será consequência da formação e da sua cultura. Essa ambição tem de vos levar a subir a fasquia da qualidade. Tem de levar ao nível do melhor no espaço global! O futuro está a dar uma dimensão que permite actuar em qualquer parte do mundo. Hoje tem de ser esse o horizonte. Vocês vão ter que dialogar com toda a espécie de pessoas: arquitectos, juristas, economistas, poetas, artistas, professores, comerciantes, operários, etc. É isso que a vida nos exige. Ter de dialogar com uma grande diversidade de seres humanos e de sensibilidades. Na realização de um empreendimento, nos processos administrativos, em projecto ou em obra, intervêm sempre vários profissionais, cada um de sua especialidade. Um engenheiro civil nunca trabalha sozinho. Numa equipa de obra ou numa equipa de projecto, a solução óptima para a especialidade onde estamos a intervir pode não ser a melhor para a obra. Há sempre que discutir e que negociar. Mas é a cultura e o respeito pelos valores éticos e deontológicos que faz a credibilidade. E a credibilidade é fundamental para convencermos os interlocutores de que a solução é boa.
A Engenharia Civil, assim designada há mais de cem anos, constitui o mais abrangente ramo da Engenharia. É a Engenharia Civil que coordena a atividade da construção. Ela atua ao lado do Promotor, ao lado do Dono da Obra, ao lado do Projectista, ao lado do Empreiteiro e ao lado da Entidade Licenciadora. A qualidade da construção tem muito que ver com a qualidade da engenharia que a projecta, que a planeja, que a gere e que a produz. O acto de construir é muito complexo e tem muitos intervenientes. É o resultado da intervenção de todas as especialidades da Construção, da Engenharia e da Arquitectura. É preciso coordenar e disciplinar todo esse processo. Só a Engenharia Civil tem essa capacidade e essa competência.
Os engenheiros civis têm de contribuir para garantir as condições de segurança das construções. Para garantir as condições de segurança e saúde para os trabalhadores nos locais de trabalho. Para prevenir e minimizar os efeitos das catástrofes naturais, como os sismos, os maremotos, os furacões ou as inundações. Para garantir a protecção das orlas costeiras. Para garantir um melhor aproveitamento dos recursos naturais. Para melhorar o ordenamento e desenvolvimento do território e as condições para elevar a qualidade de vida das populações. Para garantir a defesa do ambiente, minimizando os impactes das construções. Para reduzir a sinistralidade nas estradas, bem como nos estaleiros de construção, através de melhores projectos e sistemas construtivos adequados. Para combater a corrupção, através de propostas que simplifiquem as normas e regulamentos em vigor, com análise dos processos produtivos e dos sistemas de avaliação e de decisão.
A formação de engenheiros civis, a verificação das suas competências e dos regulamentos que sabem aplicar, já não é apenas um problema de cada país e das respectivas associações profissionais, mas de todos os utilizadores do resultado desse trabalho. É um problema de toda a sociedade.
Dentro desta ideia, teve lugar em Lisboa em 12 de Março de 2008 o primeiro encontro das Associações de Engenheiros Civis dos
países de língua portuguesa e castelhana. Foi então redigida, em Português e Castelhano, a chamada “Declaração de Lisboa” que no capitulo IV parágrafo 6 diz: “[i]Para o exercício da profissão de engenheiro civil, com as competências reconhecidas ao longo das últimas décadas, considera-se necessária uma formação integrada de ensino superior com um mínimo de 5 anos[/i]”. Já levei para a FEANI o texto em inglês deste documento. E foi-me pedido que se enviasse ao Conselho da FEANI todos os documentos produzidos por esta Associação de engenheiros civis que representa mais de meio milhão de engenheiros civis numa população total de 630 milhões de habitantes. Vejam a força política que esta Associação pode vir a ter.
O Conselho das Associações Profissionais de Engenheiros Civis de língua Portuguesa e Castelhana é presidido pelo Bastonário da Ordem dos Engenheiros de Portugal, Engenheiro Civil Fernando Santo e está aqui representado pelo Secretário Engenheiro Civil Cezar Benoliel. Já houve um segundo encontro em Brasília em 11 de Dezembro de 2008 e o próximo será em data muito próxima em Montevideu.
E vou terminar meus caros colegas. Procuremos aproveitar as competências que a nossa formação nos confere. Vamos fazer
desenvolver e progredir o País em que vivemos. Orgulhemo-nos de ser Engenheiros e de sermos Engenheiros Civis.
Muito obrigado a todos pelo carinho que me dispensaram e pela paciência com que me ouviram.
Celestino Florido Quaresma
Federação Brasileira de Associações de Engenheiros - FEBRAE
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